domingo, 11 de dezembro de 2011

InACABADO.


Eu sinto falta daquilo que me preenchia. Eu sinto falta de conversas, de filme com pipoca, de dar risada de bobeira, de fazer nada juntos. Eu sinto falta de cada conselho, cada abraço, cada descoberta que juntos fazíamos. Sou e sempre fui do tipo que sem amigos não sou ( definitivamente ) nada. Porém, esse ano tudo foi muito diferente. Coisas acontecem todos os dias, e em um desses, eles se distanciaram. Ou eu me distanciei. É. Dezembro, fim de ano, aquela época que todos aqueles que não fizeram merda nenhuma o ano inteiro, querem cismar de ajudar, prosperar, desculpar... PORRA. Meio tarde né? Esse é o problema; deixamos para fazer as coisas sempre na última hora. E final de ano é sempre assim. Não foi um dos melhores anos pra mim, aliás, não foi mesmo o melhor. Entra gente, sai gente, chora, ri, cai, mas de pé. Igual gato. A vida não espera você parar de chorar, não! Nem tem curso de graduação e pós. Ou seja, ou você aprende a viver, ou para no tempo. 
Tenho muitas coisas incompreendidas dentro de mim, as quais nem sei porque ainda existem. E eu não consigo esquecer. Simplesmente não consigo fechar os olhos sem pensar no quanto a realidade é diferente; diferente até demais. Mas sabe, tudo seria diferente se a gente não se escondesse tanto assim. Se escondesse de nós mesmos, das oportunidades que a vida nos dá, das pessoas que nos querem bem. Não se escondesse atrás de anos luz de lágrimas e lamentações. Meus Deus... Será que o ano que vem aí será mesmo tão diferente assim do que está indo embora? O que nós fazemos para torná-los melhor? É o que tenho me perguntado to-dos os di-as.
Tenho estado num estado emocional não muito bom, e pra falar a verdade, eu não fico feliz por isso. Queria estar segura, forte, bem. E penso 'mas que merda é essa que acontece comigo?' Crise de final de ano, como disse, e me sinto péssima por não ter feito do meu ano, o melhor. Cabia a mim, somente a mim, fazer com que fosse O ano. Mas não. Fui fraca, covarde, não me arrisquei. Não me conheci. Irreconhecível. Inadmissível.
Mas não vou dizer que não serviu de aprendizado pra minha vida, por tudo, absolutamente tudo nessa vida é aprendizado. E se você não tirar um pouquinho de cada experiência vivida, você não é nada.
2012, não garanto que você será melhor, mas a minha vontade de fazê-lo ser, é enorme.
E será à 00:00 do dia 31, colocando a cabeça no travesseiro que irei perceber o quanto valeu a pena. E sempre vale.
Fernanda Scholz.

sábado, 12 de novembro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

AME-se.

Seguinte, felicidade a gente encontra dentro da gente. É isso aí. E não faz essa cara de não sabe do que eu tô falando. Sem dramas, por favor! Difícil acreditar que eu estou falando isso. A pessoa mais dramática que conheço. Mas é isso aí. SACODE! NADA DE DRAMA!
Seu amor não é correspondido, sua vida tá uma merda, tua família te cobra, teu trabalho te cobra,  tu tem que passar no vestibular! E tudo que você consegue pensar é que nunca vai ter um namorado, nunca tua vida vai melhorar, nunca vai ficar rica e que você nunca vai conseguir eliminar aquela penca pessos do "candidato/vaga"!  É! Se você continuar pensando assim, lamento te informar, mas tua vida só tem a piorar. Felicidade é estar bem com você mesma. Para de se preocupar com que os outros vão falar. Para de se fazer de vítima. Você, aí dentro, sabe que é capaz de ser o que quiser, de fazer o que quiser! É só querer. Uma folha não cai da árvore à toa... Uma cai, pra outra surgir. Tudo que vai, volta. TUDO. Pode apostar. Agora me responde uma coisa; você nasceu pra ficar se lamentando?

Temos uma vida só, e não ousemos brincar com ela! Acho que eu parei de me lamentar quando eu parei de achar que tudo era o fim. De fazer drama pra tudo que acontecia. Parei de ter medo de dizer o que eu sentia. Parei de segurar as rédeas e deixar o cavalo correr! Pular obstáculos, cair, normal... Mas pelo menos tá correndo! Tá livre! A gente não pode depender de nada nem ninguém pra nos julgarmos felizes. NÃO! A nossa felicidade, é nossa. De mais ninguém. Aquele alguém pode te deixar feliz quando perto está. Aquela nota, aquele amigo. Enfim. Mas sermos felizes por nós mesmos, é bem melhor. Sem dependências. Sem limites.
Ser feliz não significa que você não possa chorar, gritar e mandar tudo à merda! Pode sim, até faz bem! Limpa, revigora, purifica! Mas temos que ter essa felicidade dentro da gente. Se olhar no espelho e se apaixonar sim, todos os dias, por aquela pessoa que vemos! Acreditar, contar, confiar nela! Só assim poderemos amar, acreditar, contar e confiar em outra pessoa.
Ah meu caro e minha cara, tantas coisas ainda vão acontecer que farão que desistemos de tudo, de nós mesmos... E se nos deixarmos abalar, tudo terá sido em vão. Embora clichê, viva como se fosse o último dia da sua vida! Não faça merda! Fazer merda é diferente. Você vai se arrepender. Mas faça aquilo que o teu coração manda e que tua mente precisa. Vice e versa.
Nada de lamentos e pessimismo! Seja e esteja feliz consigo mesma! Não bloqueie a idéia de estar só. Seja independente do amor, do carinho e atenção do outro.  Aprenda a gostar da própria companhia, SEM MEDOS E RECEIOS, que verás como tudo melhorará.

domingo, 2 de outubro de 2011

Meu coração têm asas. Minha razão anda a pé!


Acho que muita coisa anda passando pela minha mente. Talvez deixo tudo que têm me angustiado, me deixado cabisbaixa, transparecer como num vidro. Sabe quando não sabemos ao certo o que queremos pra gente? Ou até sabemos, mas são muitas opções e não dá para optar por todas elas? Pois é, confuso. Eu quero acreditar que você é aquilo que eu vejo em você e não o que eu quero ver. Aquela coisa de ter o seu coração preso a alguém de tal forma que acaba perdendo o controle sobre o que sentir.
Como se eu não conseguisse abrir os olhos para o que eu não quisesse enxergar.
Mas não me sentirei culpada, se, um dia, tudo explodir. Já disse uma vez, sentimentos são feitos para serem demonstrados, extraídos, se não, explodem dentro da gente. Cultive em mim o amor que você quer,e você o terá.
A gente não pode confiar em ninguém se não confia em si mesma. Tento decorar isso todos os dias. Se estou conseguindo? Bem, estou tentando.
É fato, desde que o mundo que é mundo, não podemos controlar a vida do outro. A vida dele, é dele, e a consciência é a pior juíza. 

Nesses dias tantas coisas aconteceram, tanta coisa no meu coração mudou. Coração carente que não deixa essa mania que precisar ser preenchido. Mas parei pra pensar, que não só preenchido com um amor. E sim, preenchido de sentimentos bons, de coisas boas. Só conseguimos viver intensamente e verdadeiramente quando caimos em si e vemos que temos que viver pra nós mesmos. Nem pros outros. Nem pro outro. Eu não sei se você entende o raciocínio de quem não tem raciocinado ultimamente ou se entende o porquê de certas coisas que não se explicam. Mas quando a cabeça não pensa o corpo padece. E o coração, pfff... já bate fraco de tanto que já sofreu. Seus princípios enfraquecidos te cobram uma atitude e você cobra a coragem. No travesseiro, meus pensamentos são seus. Mas tomei uma decisão. Vou fazer o que o coração manda. Porque hoje, pode não fazer muito sentido, mas lá pra frente as coisas vão se explicar. 
Não sou previsível. Sou louca. Sou inconstante. Gosto de mensagem de manhã e gosto de presente fora de época. Nunca gostei de matemática e acho que isso tem a ver com o fato de não gostar nem um pouco de respostas certas, de mesmice.
Um dia li em algum lugar que não adianta fazer figas, se for pra ser, vai ser.

Eu quero fazer a minha sorte. Somos todos felizes se deixarmos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

"I want to go somewhere I've never been and I'd like to go with you."


                "Eu quero ir a algum lugar em que nunca estive e eu gostaria de ir com você."
                                                          (500 Days Of Summer)

 E se todos os dias você acordasse não desejando estar onde está? Ou quando afirma que “não aguenta mais”, porém é mais um dia e você está acordado e vivo. Como você se sente? E se todos os dias você desejasse a mesma coisa, incessantemente, todos os dias, sem trégua, sem pausas, sem intervalos? Seria fácil para você ter o mesmo desejo absurdo e doloroso todos os dias? E você se pergunta até quando suportará, até quando será capaz de continuar, até quando continuará a sorrir enquanto chora por dentro, até quando manterá a ferida aberta e sangrando e todos os dias você se faz a mesma pergunta. Estou tentando parar de dizer sempre as mesmas coisas, juro que estou. Só que antes eu preciso entender algumas coisas e acabar com outras. Preciso entender como ainda sobrevivo a esses dias e como faço para acabar com eles.
Minhas lágrimas falam por mim.
Quando os lábios dele tocaram os meus pela primeira vez, soube que poderia viver cem anos e visitar o mundo todo e nada se compararia ao momento único em que beijei o homem que, não é realmente o dos meus sonhos, porém,  soube que meu amor duraria para sempre.
E o que eu sinto é o tal do amor. Aquele surrado, mal-falado, desacreditado e raro amor, que eu achava que não existia mais. Pois existe. E arrebata, atropela, derruba, o violento surto de felicidade causado pelo simples vislumbre do teu rosto.
De repente olhamos pra dentro de nós e a única coisa que enxergamos é esse borrão de sentimentos que nos cobre por inteiro. Não cabe a nós tentar apagá-lo. A gente nunca se acostuma a perder o controle sobre o que sentir, quando sentir ou como sentir, mas é nesse momento que a gente se depara com caminhos pelos quais nunca pensamos que íamos passar. Então a gente começa a perceber que o que desejáva-mos não era o suficiente e que podemos ir mais além. Por mais estranho e nebuloso que seja o caminho a gente arrisca e arriscar é completamente normal. Normal porque já nos acostumamos a fazer as coisas por impulso. Por mais que tentemos mudar, no final das contas a gente sempre acaba voltando pro mesmo lugar. Aquela velha dor no peito não nos deixa esquecer e, pra falar a verdade, nem sempre a gente deseja curá-la. Não faz sentido, mas quem já sentiu entende.
Farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz.

Esse sentimento não cabe em mim. E se tudo isso que você finge não ver é só a ponta do iceberg? Eu acho que muita gente deve estar tendo os mesmos pensamentos que eu, nesse momento. É como se eu fosse um texto em que você só leu o primeiro parágrafo, ou apenas o título, ou até mesmo simplesmente ignorou por não gostar da ortografia do escritor. E eu não falo de dor. Eu falo da angústia que é não sentir nada. Eu falo da vontade de chutar a tua porta com as duas pernas e gritar uma porção de coisas nos teus ouvidos até você acordar assustado. Isso já te faria me conhecer um pouco melhor, e saber do que eu sou capaz. E talvez seja só um problema de auto-estima. Há momentos em que o incerto pode ser a coisa mais concreta e correta que poderíamos ter em mãos.
Quase que sem querer a gente se apega aos sentimentos e os tornamos a coisa mais importante e preciosa que possuímos. Eles passam a nos definir tomando conta do nosso coração, preenchendo a parte que antes ficava vazia. Não estamos acostumados a guardar tanto sentimento, eles explodem dentro da gente. Arriscamos, sem saber se vale a pena arriscar, passando a acreditar que as coisas podem ser simples e normais, quando na verdade não são. Na verdade estão longe de ser. A verdade nunca é o suficiente. Essa é a hora que a gente deveria respirar fundo e acordar. A verdade é que eu nunca fui das que fazem sentido. Acho que me perdi. Queria que você me encontrasse.
Eu cheguei muito perto, perto demais de desistir e isso não seria novidade pra mim. Perdi o controle sobre o que sentia, mas não conseguia aceitar isto. Cada passo que eu dava era medido milimetricamente, era analisado detalhadamente e não havia nada que pudesse mudar isto. Me enganei. Nem sempre o que planejamos é o melhor pra nós. Eu percebi que sair dos planos as vezes pode ser melhor do que seguir sempre em linha reta. O que nos espera no final do caminho pode ser até melhor do que o que a gente esperava encontrar. Nem mil desculpas seriam capazes de impedir o óbvio. Eu não posso prometer a mim mesma ter controle sobre tudo, sempre. Todo esse sentimento era projetado em minhas pálpebras cada vez que eu fechava os olhos involuntariamente. A intensidade do que eu sentia me fazia ter medo. Me fazia tentar fugir, ir pra um lugar onde eu pudesse ter o controle sobre mim novamente. Mas não era tão fácil assim. Tanto sentimento já não cabe mais em mim.
Sou movida à eles, embora sempre os tornem maiores do que realmente são.
Não sabemos como os sentimentos surgem. Quando percebemos a sua existência já é tarde demais, eles estão dentro de nós, se espalhando pelo nosso corpo cada vez que o nosso coração bate involuntariamente por alguém. São apenas sentimentos e eles nunca param.




quinta-feira, 16 de junho de 2011

amar...


A minha vontade de escrever vem à tona. São lá pelas 22:40, estou sentada no fim da cama, com ele deitado me olhando. Sabe, queria ter o poder de saber o que ele pensa a cada vez que olha pra mim, o que ele sente a cada pensamento que toma conta da mente dele. Se bem que se eu soubesse, que sabor teria saber depois? tanto sentimento de alegria, como de tristeza... E tenho sorte de só ter ouvido coisas boas dele. Tenho sorte de tê-lo, e essa não me abençoará novamente. É, dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar; pois é, caiu. 
Acho que a gente descobre o que é o amor, quando achamos que sabemos o que é, e aí, somos surpreendentemente surpreendidos. Achamos que é amor quando sofremos horrores por uma pessoa que não está nem aí pra gente. Nem aí, nem aqui, nem lá, nem cá. Não está em nenhum lugar definitivamente. Sei lá, parece que vemos esses 'amores impossíveis' nas novelas, nos filmes, nos seriados, e achamos que assim tem que ser com a gente. A partir do momento que eu achei que tinha perdido um amor, descobri que amor mesmo nunca foi. Obcessão, afeto, sei lá. Amor que é amor não acaba. Aliás, amor não acaba. Se acabou, não era amor. Nunca foi. E foi assim, que decidi abrir meus olhos pra um mundo que eu desconhecia, pelo motivo de estar focada sempre naquilo que eu achava que me fazia bem. Foi assim que, o destino tratou de colocar na minha vida algo pra me ensinar tudo que eu achava ter conhecimento, pra me mostrar um caminho que pra mim já era velho. Pra me mostrar que eu tenho sim, ciúme. Pra me mostrar que alguém pode sim se preocupar comigo e querer o meu bem mais que tudo no mundo. Pra me ensinar a não julgar pela embalagem. Pra me mostrar que eu posso sim virar uma onça se tentarem atrapalhar a minha felicidade.
Sei lá, a
mor é quando você sai para comer e oferece suas batatinhas fritas, sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela.
Relacionamentos a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncio e longas conversas.
E é assim, quando a gente pára de acreditar em 'amor da vida', o amor pra vida da gente aparece. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo FODA. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. Pois é! Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez.
Não quero mais perder o chão. Quero alguém que divida o chão comigo. Não quero mais perder o ar. Quero alguém que me dê fôlego, entenderam!? Sem ansiedades. Sem montanhas-russas.
 É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios. Enfim, Amor é RECONSTRUÇÃO.


 



















domingo, 17 de abril de 2011

trilhos de uma vida sem freio.


E as luzes da cidade me guiam para um lugar desconhecido. Queria eu ir para um lugar onde pessoas e animais e casas e ruas e postes fossem novos pra mim... E sentimentos e atitudes e pensamentos e clarão e escuridão e todos os versos e verbos fizessem algum sentido. Me encontro como se numa estação, sentada, no banco, rodeada de malas. Observo as pessoas à minha volta, tentando imaginar e adivinhar o que elas pensam, pra onde elas vão. Quem são essas pessoas com pressa, com sorriso no lábio, com olhos cansados, com seriedade no rosto... Quem são?
E vem gente, e vai gente, e trem chega, e trem vai e o relógio anuncia que a hora passa, que o tempo corre. Pessoas correm.
Coloco o fone de ouvido, e ao invés de barulho de trilho, conversações, máquina de café e barulho de senha no pão de queijo, fico ao som dos 'tons' do meu eterno Jobim. E enquanto observo cada gesto, cada movimento, com a bochecha apoiada na mão esquerda e os olhos procurando coisas que me despertem o interesse, me pego a pensar na minha vida. Começo a me ver um pouco em cada pessoa que ali, por mim, passa. As idéias fluíam na minha mente como folhas de árvores caindo num dia de outono; Um turbilhão de idéias...Problemas familiares, contas, boleto da faculdade, desilusão...A lista era grande, difícil priorizar.
E vejo que minha vida precisa de coisas novas. Precisa de um rumo novo. Precisa de um rumo. No anseio de tentar deixar pedaços da vida para trás, abri meus olhos; minha vida estava por um fio. Deitei no exato momento em que retomei a consciência, percebendo que só restava uma cama de conformismos. Senti prazer diante do aconchego oferecido. Desmaiei banhado em meu próprio pranto, desconhecendo o verdadeiro motivo.
Acordei longe de tudo, observando a imponente aurora que apressada tomava seu lugar, expulsando o insolente e desagradável crepúsculo que anteriormente entrara em cena. Ainda deitada percebi que não havia mais conforto em meu leito. O conformismo cedera seu lugar à revolta; a indiferença tomou outro rumo.
Prontamente coloquei-me em pé, tentando livrar o meu corpo dos espinhos que paulatinamente o penetravam. Observei o límpido céu por minutos que mais pareceram horas. O horizonte era perfeito, natural. Minh’alma esvoaçava com a gélida brisa da manhã. Meus cabelos indicavam a direção do vento que arrancava mais lágrimas de meus olhos.
O pranto cansado ainda não dava sinais do seu fim. A imensa revolta assustava, tornando imperceptível o ultimo pedaço de razão que ali restava. Virei meus olhos percebendo então que ainda havia um corpo no chão. Talvez um estranho, talvez meu próprio corpo; provavelmente um engano.
Quis perder a ilusão do momento. Tentava chegar perto da matéria, porém a brisa aconchegante, num instante, passou a ser tempestade. Tudo ficava distante, disperso. Entre incontáveis sentimentos desconhecidos, tive medo. Temi cada momento, exalando toda fraqueza que anteriormente escondia a todo custo. Desejei um derradeiro suspiro, percebendo que não tão cedo o teria. Fui brinquedo dos deuses. Objeto de uma piada divina. Motivo do incansável riso dos habitantes dos céus.
 O mundo que girava sob meu corpo era distinto do que habitava minh’alma, que o observava desconsiderando a ideia de voltar a seu antigo lar. Tudo estava fora de foco. A confusão que se fazia presente transcendia o grau de normalidade e de estranheza ao mesmo tempo. Os fatores que influenciavam os diversos sentimentos se alteravam constantemente, implicando numa inconstância do humor consciente, que de forma involuntária expressava exatamente o contrário do que se queria expelir.
 O primeiro passo me fez sentir desejo. Desejo de seguir, de descobrir o que a vida ali era capaz de proporcionar. Ignorei tudo que estava à volta. O segundo passo rapidamente tomou a frente do primeiro. O horizonte bonito já não era imenso. A proporção deixava de proporcionar bons ânimos como anteriormente. O racional ainda tomava conta, mas sem a menor contundência.
O terceiro passo foi monótono e automático, quase que instintivo. A ansiedade fazia com que eu andasse rápido, sem pensar. Eu ainda me sentia um desbravador daquele universo de possibilidades que eu via ao alcance.
Decidi abraçar a causa.
 Começo a me colocar no lugar e não mais a quem assiste sentada no banco da estação à reação de milhares e milhares de pessoas. De feitas e desfeitas, de idas e vindas, decido que minha vida a partir daquele momento, começaria a se movimentar. A seguir rumos, a arriscar-se a lugares desconhecidos. Aqueles nos quais já disse. E pois bem, serei eu a maquinista e minha vida será o trem. De estações, ah... um dia, quem sabe, paro novamente; mas só pra descansar...

domingo, 10 de abril de 2011

pensamento oculto.



Hoje foi um daqueles dias que se eu pudesse permanecer na cama até dar a hora de voltar a dormir, eu permaneceria. Mas bem, eu acordei, e com a mão entrelaçada ao travesseiro, comecei a pensar em certas coisas. Aquelas coisas que passam pela nossa cabeça quando temos um minuto de paz. Tive 15... e nesses 15 minutos, a reflexiva parte do meu eu, se faz presente. Comecei a pensar...seria mentira se eu dissesse que alguma coisa ainda nesse mundo me surpreende. E seria inútil eu ficar chorando inconformada com a situação que nos encontramos. Mundo de gente fria. Mundo de gente com coração de, eu diria de gelo, mas pensando bem, não é nem capaz de derreter. Coração de algo desconhecido. Me pergunto como o ser humano é capaz de cometer imundices assim. Me pergunto, por isso, se podem ser chamados  de seres humanos...
Vivendo em uma grande esfera dividida por países, cidades, pessoas, personalidades e enfim, uma grande diversidade de coisas e tipos e pessoas e seres, eu juro que ainda me sinto como em um buraco, um poço fundo, onde não vejo saída, nem espaço pra respirar. Queria acreditar que um dia eu vou acordar, e nos 15 minutos na cama, saber que está tudo no seu devido lugar. Mas não. Nunca nada estará no seu devido lugar.
Embora nada me surpreenda, o mundo não deixa de me assustar. O pensamento das pessoas mudam numa tal velocidade impressionante. Inevitável. Você nunca será bom o suficiente pras pessoas e elas, boas o suficiente pra você. De lei.
Meus olhos fecham, e com mais alguns minutos antes o término dos 15, minha cabeça se faz um questionário. Me coloco na pele das Mães sem notícias dos filhos, das crianças desorientadas e das várias pessoas insandecidas, querendo justiça. Tentar entender a mente de um desequilibrado, a partir de um parâmetro racional é dar asas a imaginação e ao erro. E assim o mundo continua, com pessoas hipócritas, sujas e que me fazem crer que cada vez mais eu vou desconfiar do ser humano, e continuar a sonhar que algum dia os olhos cheio de lágrimas de uma criança implorando pela vida, seja suficiente para fazer o  arrependimento aflorar em uma pessoa que mal sabe o que é sentimento.

Levanto, 15 minutos passaram.


sexta-feira, 25 de março de 2011

Alguém me perguntou se eu queria crescer?


 Bom, depois de vários longos dias, volto a escrever aqui... Acho que mais por uma necessidade, como eu já disse, de me expressar, de desabafar...

Faz frio. Meu coração congela. Sinto como se eu fosse dormir; pra sempre. O mundo me assusta, as pessoas também. Tudo modificado, ninguém é amigo de ninguém. O interesse existe. O comodismo também. O que antes era doce, tornou-se um limoeiro. Tão diferente do que pra mim era normal. Tão confuso do que pra mim era simples. Tão escuro do claro que eu já vi.
Um silêncio. Uma angústia. Uma impaciência. Um olhar. Um gesto. Um apego, desapego...
É pedir muito um pouco mais de amor? De preocupação? De compaixão? De paciência? De olhos fixos? De verdade na fala?
Mundo de gente grande...sem ingenuidade, sem brilho no olhar, sem choro por bala, sem bateção de pé por não querer tomar banho.
É, e quem disse que seria sempre assim? A gente cresce, a gente cria responsabilidades, a gente esquece o quão bom é pular corda, brincar de amarelinha e chupar sorvete sem se preocupar com a sujeira no canto da boca. Hoje, temos outras preocupações. O cartão que precisa ser pago, a conta de luz, de telefone, de água... E não adianta mais juntarmos moedas nos nossos cofrinhos como fazíamos pra comprar bala na padaria da esquina ou algum brinquedo no 1,99 que, mesmo sabendo que iria quebrar, e que não precisávamos daquilo, comprávamos como se fosse uma necessidade de bem maior!

Tive que crescer sem ninguém perguntar se eu queria e muito menos me ensinar como seria. Nunca, nada me doeu tanto quanto crescer. Trocaram minhas figurinhas de chicletes por contas a pagar, meu celular de borracha que tocava músicas foi substituído por vozes que me lembram dos meus compromissos, meu relógio de plástico que sequer marcava as horas me mostra a todo momento que o tempo passou. Não posso mais nem ir aonde eu quero. Antes, me bastava um barquinho de papel, o tanque cheio d'água e alguns minutos de silêncio para eu dar a volta ao mundo. Hoje, me cobram R$2,10 para ir de um bairro ao outro.

Tenho pensado muito na minha vida, e o que faço dela... conclusões? Ah...são tantas! Acho que a cada momento chego a uma.

Um dia eu li que a felicidade está dentro da gente. Quando nossa alma está em paz, quando acordamos todos os dias e optamos por ser feliz ou triste. E a cada dia que fazemos a primeira opção, as coisas boas sempre vêm ao nosso encontro. Felicidade tem muito mais a ver com estar de bem com nós mesmo do que pensamos. E nunca vamos nos sentir bem em nossa própria pele se a cabeça estiver lotada de neuroses e ansiedades. Difícil? Bastante. Preocupação não deixa ninguém sadio, porque alem do mais, depois que a gente morre, levamos o que da vida? E me perguntando isso todos os dias, respondo a mim mesma :“ lembranças...NADA mais que lembranças”, e pensando bem, não é a gente que cresce. É o mundo que muda de tamanho e esquece de nos avisar.



domingo, 6 de fevereiro de 2011

do eterno à dor interna.


É estranho. Tudo mudou. As coisas mudaram. Eu mudei. Você mudou. O mundo muda, e não seria diferente agora.
Me pego pensando em cada riso, cada abraço, cada momento que contigo eu passei. Me vem na memória o primeiro beijo, a primeira vez, o primeiro abraço, o primeiro sorriso que você deu pra mim frente a frente.
Embora tente me fazer de forte, sei que não sou. Sei que, em relação a nós, meu coração é mole.
Talvez não entenda o por que de tudo isso está acontecendo se prometemos ser eterno. Se dissemos que seria. Fizemos planos, e estes, não se concretizaram. Porém, tenho pra mim que nada acontece se Ele não quer. Tudo que vem, vem sempre por um motivo, e não somos obrigados a aceitar, mas quem sabe tentar entender...
As vezes, me bate uma saudade, me vem na cabeça tudo aquilo que um dia eu acreditei que bastava pra mim.
Sei que não vou mudar de idéia agora. Sei que as coisas vão continuar assim. Mas sei também que nada disso sairá de dentro de mim. Como te disse, eu posso me arrepender sim, de um dia ter jogado tudo pro alto e ter desistido, mas iria me arrepender ainda mais se continuasse com isso.
É um tanto quanto estranho pensar que não terão mais dias de espera até o final de semana que você viria... É estranho o fato de você não vir mais.
Nas lágrimas que eu derramo sobre o travesseiro, está a minha revolta. Revolta de não aceitar que seja assim, tão difícil. Duas pessoas que se amam, viverem longe.
Escrevo porque as palavras são o meu refúgio, o meu conforto.
Quiçá um dia voltemos a nos encontrar, se por obra do destino, do acaso, seja o que for.
Dias passarão, meses, anos, mas acredito e sempre guardei pra mim, embora pareça clichê, que o que é pra ser, vai ser, não importa quando, como e por que.
Pra mim, o ponto final não vai existir. Prefiro acreditar que são apenas reticências...