"Eu quero ir a algum lugar em que nunca estive e eu gostaria de ir com você."
(500 Days Of Summer)
E se todos os dias você acordasse não desejando estar onde está? Ou quando afirma que “não aguenta mais”, porém é mais um dia e você está acordado e vivo. Como você se sente? E se todos os dias você desejasse a mesma coisa, incessantemente, todos os dias, sem trégua, sem pausas, sem intervalos? Seria fácil para você ter o mesmo desejo absurdo e doloroso todos os dias? E você se pergunta até quando suportará, até quando será capaz de continuar, até quando continuará a sorrir enquanto chora por dentro, até quando manterá a ferida aberta e sangrando e todos os dias você se faz a mesma pergunta. Estou tentando parar de dizer sempre as mesmas coisas, juro que estou. Só que antes eu preciso entender algumas coisas e acabar com outras. Preciso entender como ainda sobrevivo a esses dias e como faço para acabar com eles.
Minhas lágrimas falam por mim.
Quando os lábios dele tocaram os meus pela primeira vez, soube que poderia viver cem anos e visitar o mundo todo e nada se compararia ao momento único em que beijei o homem que, não é realmente o dos meus sonhos, porém, soube que meu amor duraria para sempre.
E o que eu sinto é o tal do amor. Aquele surrado, mal-falado, desacreditado e raro amor, que eu achava que não existia mais. Pois existe. E arrebata, atropela, derruba, o violento surto de felicidade causado pelo simples vislumbre do teu rosto.
De repente olhamos pra dentro de nós e a única coisa que enxergamos é esse borrão de sentimentos que nos cobre por inteiro. Não cabe a nós tentar apagá-lo. A gente nunca se acostuma a perder o controle sobre o que sentir, quando sentir ou como sentir, mas é nesse momento que a gente se depara com caminhos pelos quais nunca pensamos que íamos passar. Então a gente começa a perceber que o que desejáva-mos não era o suficiente e que podemos ir mais além. Por mais estranho e nebuloso que seja o caminho a gente arrisca e arriscar é completamente normal. Normal porque já nos acostumamos a fazer as coisas por impulso. Por mais que tentemos mudar, no final das contas a gente sempre acaba voltando pro mesmo lugar. Aquela velha dor no peito não nos deixa esquecer e, pra falar a verdade, nem sempre a gente deseja curá-la. Não faz sentido, mas quem já sentiu entende.
Farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz.
Esse sentimento não cabe em mim. E se tudo isso que você finge não ver é só a ponta do iceberg? Eu acho que muita gente deve estar tendo os mesmos pensamentos que eu, nesse momento. É como se eu fosse um texto em que você só leu o primeiro parágrafo, ou apenas o título, ou até mesmo simplesmente ignorou por não gostar da ortografia do escritor. E eu não falo de dor. Eu falo da angústia que é não sentir nada. Eu falo da vontade de chutar a tua porta com as duas pernas e gritar uma porção de coisas nos teus ouvidos até você acordar assustado. Isso já te faria me conhecer um pouco melhor, e saber do que eu sou capaz. E talvez seja só um problema de auto-estima. Há momentos em que o incerto pode ser a coisa mais concreta e correta que poderíamos ter em mãos.
Quase que sem querer a gente se apega aos sentimentos e os tornamos a coisa mais importante e preciosa que possuímos. Eles passam a nos definir tomando conta do nosso coração, preenchendo a parte que antes ficava vazia. Não estamos acostumados a guardar tanto sentimento, eles explodem dentro da gente. Arriscamos, sem saber se vale a pena arriscar, passando a acreditar que as coisas podem ser simples e normais, quando na verdade não são. Na verdade estão longe de ser. A verdade nunca é o suficiente. Essa é a hora que a gente deveria respirar fundo e acordar. A verdade é que eu nunca fui das que fazem sentido. Acho que me perdi. Queria que você me encontrasse.
Eu cheguei muito perto, perto demais de desistir e isso não seria novidade pra mim. Perdi o controle sobre o que sentia, mas não conseguia aceitar isto. Cada passo que eu dava era medido milimetricamente, era analisado detalhadamente e não havia nada que pudesse mudar isto. Me enganei. Nem sempre o que planejamos é o melhor pra nós. Eu percebi que sair dos planos as vezes pode ser melhor do que seguir sempre em linha reta. O que nos espera no final do caminho pode ser até melhor do que o que a gente esperava encontrar. Nem mil desculpas seriam capazes de impedir o óbvio. Eu não posso prometer a mim mesma ter controle sobre tudo, sempre. Todo esse sentimento era projetado em minhas pálpebras cada vez que eu fechava os olhos involuntariamente. A intensidade do que eu sentia me fazia ter medo. Me fazia tentar fugir, ir pra um lugar onde eu pudesse ter o controle sobre mim novamente. Mas não era tão fácil assim. Tanto sentimento já não cabe mais em mim.
Sou movida à eles, embora sempre os tornem maiores do que realmente são.
Não sabemos como os sentimentos surgem. Quando percebemos a sua existência já é tarde demais, eles estão dentro de nós, se espalhando pelo nosso corpo cada vez que o nosso coração bate involuntariamente por alguém. São apenas sentimentos e eles nunca param.