sexta-feira, 25 de março de 2011

Alguém me perguntou se eu queria crescer?


 Bom, depois de vários longos dias, volto a escrever aqui... Acho que mais por uma necessidade, como eu já disse, de me expressar, de desabafar...

Faz frio. Meu coração congela. Sinto como se eu fosse dormir; pra sempre. O mundo me assusta, as pessoas também. Tudo modificado, ninguém é amigo de ninguém. O interesse existe. O comodismo também. O que antes era doce, tornou-se um limoeiro. Tão diferente do que pra mim era normal. Tão confuso do que pra mim era simples. Tão escuro do claro que eu já vi.
Um silêncio. Uma angústia. Uma impaciência. Um olhar. Um gesto. Um apego, desapego...
É pedir muito um pouco mais de amor? De preocupação? De compaixão? De paciência? De olhos fixos? De verdade na fala?
Mundo de gente grande...sem ingenuidade, sem brilho no olhar, sem choro por bala, sem bateção de pé por não querer tomar banho.
É, e quem disse que seria sempre assim? A gente cresce, a gente cria responsabilidades, a gente esquece o quão bom é pular corda, brincar de amarelinha e chupar sorvete sem se preocupar com a sujeira no canto da boca. Hoje, temos outras preocupações. O cartão que precisa ser pago, a conta de luz, de telefone, de água... E não adianta mais juntarmos moedas nos nossos cofrinhos como fazíamos pra comprar bala na padaria da esquina ou algum brinquedo no 1,99 que, mesmo sabendo que iria quebrar, e que não precisávamos daquilo, comprávamos como se fosse uma necessidade de bem maior!

Tive que crescer sem ninguém perguntar se eu queria e muito menos me ensinar como seria. Nunca, nada me doeu tanto quanto crescer. Trocaram minhas figurinhas de chicletes por contas a pagar, meu celular de borracha que tocava músicas foi substituído por vozes que me lembram dos meus compromissos, meu relógio de plástico que sequer marcava as horas me mostra a todo momento que o tempo passou. Não posso mais nem ir aonde eu quero. Antes, me bastava um barquinho de papel, o tanque cheio d'água e alguns minutos de silêncio para eu dar a volta ao mundo. Hoje, me cobram R$2,10 para ir de um bairro ao outro.

Tenho pensado muito na minha vida, e o que faço dela... conclusões? Ah...são tantas! Acho que a cada momento chego a uma.

Um dia eu li que a felicidade está dentro da gente. Quando nossa alma está em paz, quando acordamos todos os dias e optamos por ser feliz ou triste. E a cada dia que fazemos a primeira opção, as coisas boas sempre vêm ao nosso encontro. Felicidade tem muito mais a ver com estar de bem com nós mesmo do que pensamos. E nunca vamos nos sentir bem em nossa própria pele se a cabeça estiver lotada de neuroses e ansiedades. Difícil? Bastante. Preocupação não deixa ninguém sadio, porque alem do mais, depois que a gente morre, levamos o que da vida? E me perguntando isso todos os dias, respondo a mim mesma :“ lembranças...NADA mais que lembranças”, e pensando bem, não é a gente que cresce. É o mundo que muda de tamanho e esquece de nos avisar.